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Cancer progression from NIH - Cancro

Cancro

É o termo utilizado para designar um tumor maligno, independentemente do tecido que lhe deu origem. Nos epitélios de revestimento toma o nome de carcinoma, nos epitélios glandulares toma o nome de adenocarcinoma. Portanto, pode atacar a pele de qualquer região do corpo, embora nem todas as localizações se apresentem com a mesma frequência. Distingue-se dos tumores benignos pelo seu ritmo de crescimento, sempre mais rápido que o dos tumores benignos; pelo seu desenvolvimento irredutível, infiltrante, destruidor e invasor, pela sua estrutura desordenada, diferente das diversas estruturas ordenadas do organismo e, porque se reproduz à distância, ou seja, dá lugar a metástases que provocam verdadeiros desenvolvimentos tumorais  em órgãos diferentes e, às vezes, muito afastados do primitivamente atacado.

As metástases devem-se a elementos celulares que, separando-se da massa do tumor originário, chegam por via linfática ou sanguínea a um novo local, onde proliferam. Também causa facilmente recidivas locais depois de intervenções cirúrgicas francamente demolidoras, excetuando os casos em que se efetuam numa fase muito precoce. Atuam também gravemente, na fase avançada, sobre as condições gerais do paciente, com emagrecimento, enfraquecimento e anemia acentuados, que culminam num grau total de depauperação orgânica, caquexia. Esta depauperação deve considerar-se de origem essencialmente tóxica, isto é, devido às substâncias tóxicas produzidas pelas células cancerígenas que se propagam, por via linfática e sanguínea, à totalidade do organismo.

Em alguns casos, ocasiona dores locais, às vezes fortíssimas, por irritação ou compressão das terminações nervosas dos tecidos próximos. Quanto à evolução clínica do cancro, em geral podemos dizer que se desenvolve em três etapas que se distinguem com bastante claridade:

1) fase local, onde o tumor se desenvolve só localmente por multiplicação celular e, pode-se tratar curando-se sem receio de recidivas, mediante uma intervenção cirúrgica;

2)  fase regional, quando o cancro se estendeu aos tecidos vizinhos até se infiltrar nas glândulas linfáticas correspondentes (metástases linfáticas regionais). Nesta fase ainda se pode tratar e a sua cura é possível, desde que a intervenção cirúrgica seja tão ampla que abarque todas as glândulas linfáticas infiltradas;

3) fase generalizada, quando o cancro ultrapassou as glândulas regionais e deu origem a metástases noutros pontos e tecidos mais ou menos próximos; a doença passa a ser generalizada e já não existe possibilidade de tratamento e cura, bem sequer de detenção. Deve levar-se em conta, no entanto, que a duração das respetivas fases é muito variável. Na realidade, o tempo de evolução de um cancro escapa a qualquer possível critério. O cancro é a segunda causa de mortalidade, depois das doenças cardiovasculares. A sua frequência tem aumentado nas últimas décadas e, apesar das numerosas investigações que se levam a cabo, ainda são desconhecidas as causas que o originam.

Verifica-se que há fatores que predispõem ao cancro. Sabe-se que os raios ultravioletas podem ocasionar cancro cutâneo no homem, nas regiões descobertas da pele e nas partes do corpo onde esta é a mais clara, principalmente se o indivíduo está exposto continuamente aos raios do Sol. As radiações ionizantes, como as dos raios X, também têm propriedades cancerígenas, assim como as radiações atómicas. Os fatores químicos de ação cancerígena são numerosos. Entre eles, os corantes à base de anilina (a que se atribui o cancro de bexiga), o alcatrão (a que se imputa o cancro dos fumadores), o arsénico, os sais de cromo, as poeiras de níquel e de amianto, a nafta, o petróleo, o benzol, os óleos minerais, os compostos de azoto, os metasulfonatos e muitos outros que se encontram em suspensão na atmosfera que quotidianamente respiramos.

Os fatores parasitários aparecem raramente na génese do cancro. De todas as maneiras, tem-se relacionado o aparecimento de certos tumores em organismos com certas helmintíases, como também a esquistosomíase vesical com o desenvolvimento de cancro de bexiga.

A intervenção de fatores hormonais foi defendida por muitos investigadores, partindo da premissa de que o desenvolvimento celular normal está disciplinado e coordenado pelas hormonas. Um desequilíbrio hormonal daria lugar ao crescimento celular desordenado e atípico, caraterístico de tumor maligno. Além disso confirma-se que, frequentemente, um ancião afetado de cancro de próstata vê atenuados os seus problemas após um tratamento de hormonas femininas e, que uma jovem com cancro de mama ou de útero melhora quando lhe tiram os ovários. Parece claro que estes fatores extrínsecos se hão-de associar a um fator intrínseco, ou seja, dependem da constituição do indivíduo.